O projeto desenvolvimentista no Brasil: histórico e desafios da atualidade

Pedro Cezar Dutra Fonseca

Resumo


A política econômica dos governos de Dilma Rousseff foi alvo de intensa polêmica desde o início do primeiro mandato. Em sequência, no segundo mandato, as críticas ocorreram com a condução de Joaquim Levy para a pasta da Fazenda, o que representaria opção oposta à esperada, pois o discurso e a tradição ortodoxa do ministro contrastavam com as medidas implantadas no primeiro governo e com o próprio programa defendido pela então candidata na campanha eleitoral. Com a saída deste da Fazenda, em dezembro de 2015, e sua substituição por Nelson Barbosa, reforçou-se a expectativa de retorno à política do governo anterior de Dilma, por vezes chamada de “nova matriz macroeconômica”, com o propósito de contrastar com a política de cunho mais ortodoxo dos governos de Fernando Henrique Cardoso e do primeiro mandato de Lula. Tal mudança de orientação de política, principalmente no que diz respeito ao “tripé” – baixa taxa de juros, superávit primário e câmbio valorizado – realmente ocorreu. A dúvida é se tal “nova matriz” que se imputa ao primeiro governo de Dilma pode ser associada ao desenvolvimentismo, ou ao “nacional-desenvolvimentismo”, como frequentemente é referido na mídia e, principalmente, por aqueles que a denunciam, taxando-a de “populismo econômico” e de irresponsável. O objetivo deste artigo é contribuir para clarear tal dúvida.

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