Georgescu-Roegen/Daly versus Solow/Stiglitz à luz da estrutura das revoluções científicas de Kuhn

Carolina Stange Azevedo Moulin

Resumo


O artigo visa reconstruir o debate sobre a substituição entre capital produzido e capital natural travado entre os economistas ecológicos Nicholas Georgescu-Roegen e Herman Daly e os economistas neoclássicos Robert Solow e Joseph Stiglitz. Os argumentos discursivos do debate foram recortados a partir de revisão bibliográfica dos textos que o compuseram e comentaram diretamente. Concluiu-se que a refutação da substituição entre capital produzido e capital natural pela aplicação da lei da entropia ao processo econômico representa uma ruptura paradigmática com a ciência econômica mecânica e marca o surgimento de uma ciência econômica evolucionária. A incomensurabilidade entre as economias mecânica e evolucionária se evidencia nas três acepções kuhnianas de paradigma: como artefato (esquemas distintos de representação do diagrama econômico), sociológica (disputa por identidade socioprofissional e recompensa institucional) e metafísica (visões antagônicas da relação humano/tecnologia/natureza).


Palavras-chave


Transição Paradigmática; Elasticidade-Substituição; Limites ao Crescimento; Economia Ecológica; Economia Evolucionária

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