Investimentos externos diretos e o processo de catch-up: a experiência chinesa e as lições para o Brasil

Giorgio Romano Schutte, Rogério Batista de Souza Reis

Resumo


Na segunda metade da década de 2010, surgiu no Brasil novamente a aposta em uma abertura irrestrita ao capital internacional como forma de conectar o país ao desenvolvimento tecnológico e provocar um choque na economia que aumentaria a produtividade total dos fatores. O Brasil já é, há vários anos, um dos principais destinos dos Investimentos Externos Diretos, e uma vasta literatura enfatizou que não basta atrair as multinacionais. Há de se organizar mecanismos de transferência, difusão e espraiamento da tecnologia. Para isso, a atuação do Estado capacitado para contrabalancear as forças do mercado e com objetivos para o desenvolvimento definido é crucial. As experiências exitosas, entre as quais se destaca a China, mostram o investimento sustentado em capacidade tecnológica e de inovação endógena como essencial. Isso inclui criar condições para o surgimento de atores nacionais em condições de atuar globalmente.

 


Palavras-chave


Investimentos Externos Diretos; Catch-up; China; Brasil

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