Intérpretes do pensamento desenvolvimentista

Rubens Ricupero

Resumo


O embaixador Rubens Ricupero assumiu a Secretaria-geral da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad), em 1995, num momento de crise da instituição, em que se considerava inútil mantê-la face à recem-criada Organização Mundial do Comércio. Para agravar o quadro pouco favorável ao novo secretário-geral, inúmeros países, Brasil inclusive, viviam embalados na fantasia do catecismo neoliberal pregado pelo Consenso de Washington e que prometia resolver, pelo enfraquecimento do Estado e pela abertura dos mercados, questões tão graves como o baixo crescimento econômico e as desigualdades dos países menos favorecidos. Oito anos depois, quando chegou ao fim de seu segundo mandato frente à Unctad, o embaixador brasileiro era saudado como alguém que não só reergueu, mas reinventou essa agência das Nações Unidas voltada para o Terceiro Mundo. Não era para menos. Rubens Ricupero é dos diplomatas mais competentes do país. Nascido em São Paulo em 1937, com formação de jurista e economista, fez uma brilhante carreira no Itamaraty, tanto em Brasília, onde chefiou a Divisão Cultural e o Departamento das Américas, como no exterior, onde serviu em Viena, Buenos Aires, Quito, e foi embaixador em Genebra, Washington e Roma. Sua imensa experiência internacional, aliada à sólida bagagem intelectual, o levou a ocupar altas funções fora do Itamaraty. Ricupero foi assessor internacional do presidente eleito Tancredo Neves, assessor especial do presidente José Sarney, e, no governo de Itamar Franco, ministro do Meio Ambiente e Amazônia Legal, e ministro da Fazenda, no início da implantação do Plano Real. Hoje ele se divide entre a direção da faculdade de economia da Fundação Armando Álvares Penteado, e os muitos compromissos no Brasil e no exterior, dedicando-se também a publicar na imprensa lúcidos artigos sobre política internacional e economia. No apartamento em São Paulo, onde ao lado de sua mulher, Marisa, recebeu a equipe de Cadernos do Desenvolvimento, Rubens Ricupero discorreu por mais de quatro horas sobre os temas que lhe são caros: Brasil, desenvolvimento, relações internacionais, meio ambiente, e relembrou episódios e personalidades que marcaram seu meio século de atuação na diplomacia brasileira. [CONTINUA]


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A edição n. 28 de Cadernos do Desenvolvimento teve apoio da Fundação Oswaldo Cruz, por meio do Projeto "Desafios para o Sistema Único de Saúde no contexto nacional e global de transformações sociais, econômicas e tecnológicas - CEIS 4.0" (Fiocruz/Fiotec)

 

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