Occupy Wall Street, um movimento social inédito nos Estados Unidos

Catherine Sauviat

Resumo


Occupy Wall Street (OWS) não surgiu num lugar qualquer, nem em um momento qualquer da história estadunidense, embora seu impacto tenha alcançado rapidamente uma dimensão mundial. Os Estados Unidos foram o epicentro da crise dos subprimes desencadeada em 2007 e ligada mais profun­damente à asfixia de um modelo de crescimento no qual o consumo é puxado pelo endividamento. Essa crise se espalhou quase de imediato para o conjun­to do planeta, num universo financeiro totalmente liberalizado e desregulado. Por essa razão, o OWS certamente não teria nascido sem as revoltas da prima­vera árabe (em particular as que irromperam no Egito), que deram o tom da contestação em 2011, nem sem o recrudescimento da mobilização ocorrida no estado de Wisconsin na última primavera, depois que o governador republica­no decidiu questionar os direitos sindicais dos empregados do setor público e reduzir drasticamente seus salários e vantagens sociais etc. Dezenas de milha­res de cidadãos do estado, jovens e menos jovens, manifestaram-se diante do edifício do Congresso em Madison, sua capital, por iniciativa dos sindicatos e de vários grupos progressistas2. Certamente isso nunca teria acontecido sem todos os movimentos de resistência e de rebelião que há mais de um século marcaram a história social dos Estados Unidos, país de imigração, como se sabe, e cujos grandes centros urbanos serviram de caixa de ressonância. [CONTINUA]


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A edição n. 28 de Cadernos do Desenvolvimento teve apoio da Fundação Oswaldo Cruz, por meio do Projeto "Desafios para o Sistema Único de Saúde no contexto nacional e global de transformações sociais, econômicas e tecnológicas - CEIS 4.0" (Fiocruz/Fiotec)

 

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