Regime de metas de inflação, bancos públicos e a coordenação de política monetária: lições da experiência brasileira recente à luz do debate estruturalistas x monetaristas

Arthur Batista de Sousa, Carmem Aparecida Feijó

Resumo


Fazendo referência ao antigo debate entre monetaris­tas e estruturalistas, o objetivo deste artigo é discutir em que medida as políticas de combate à inflação e de desembolso do BNDES nos anos 2000 estiveram coordenadas. Nesse sentido, analisamos a questão da coordenação de políticas – monetária, fiscal, credití­cia − à luz de objetivos de curto e de longo período. Colocamos as seguintes questões: a) como entender o papel dos bancos públicos, atuando sobre o lado da oferta, contribuindo para o combate à inflação em longo prazo, e b) como conciliar no curto prazo um possível conflito de objetivos entre as políticas mone­tária e creditícia considerando a atuação do Banco Central e dos bancos públicos (sobretudo o BNDES)? Concluímos que um arcabouço teórico que descon­sidere os efeitos das políticas econômicas de curto prazo na estrutura de oferta em longo prazo, como é o caso do Regime de Metas de Inflação, pode compro­meter o potencial de crescimento da economia. Do ponto de vista empírico, constatamos que o desem­penho da política econômica brasileira nos anos 2000 apresentou momentos de maior e de menor coorde­nação entre a atuação do Banco Central e do BNDES.


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